sexta-feira, 19 de junho de 2009

Lapidando histórias...

Trilha no morro
Bombeiro leva jovens do Gama para fazer trilhas de bicicleta nos dias de folga

por Joyce Gomes *
Fotos: Joyce Gomes

As pedras e morros não intimidam jovens atletas de fim de semana do Gama. No comando, o bombeiro Marcos Tadeu, de 41 anos, desprende da folga do trabalho para fazer trilha de bicicleta com a garotada. Não é só diversão e segurança que o capitão do grupo proporciona, mas uma verdadeira aula de companheirismo, persistência e preservação ambiental.

A idéia de levar os jovens para desbravarem novos lugares nasceu sem muita pretensão. Os passeios de bicicleta, feitos pelo bombeiro apenas com os filhos Caíque e Thiago, de 13 e 15 anos, se estenderam para as quadras vizinhas. Hoje, cerca de 15 jovens acompanham Marcos pelas trilhas dos morros. O grupo, apelidado de "Descendentes do Cerrado" assume, aos poucos, uma identidade.

O contato com a vegetação típica da cidade, além de tornar o passeio mais agradável, desperta a consciência ambiental nos jovens exploradores do cerrado. Segundo o bombeiro Marcos, a turma leva para a trilha frutas e biscoitos para fazer piquenique pelo caminho. Mas isso só é feito porque existe um acordo entre eles de que o lixo deve ser recolhido para não afetar a natureza.

Marcos tem a preocupação de acolher a todos que desejam fazer a trilha. Não importa a qualidade da bicicleta. São recebidos de braços abertos. O que interessa para os "Descendentes do Cerrado" é a aventura. "Faço a trilha para encher a mente da molecada, incentivar o esporte para evitar que fiquem pela rua", afirma Marcos. A conversa entre os integrantes da trilha é aberta. Marcos já conseguiu tirar um dos meninos do vício da droga. "O Marcão é como um pai. É nosso conselheiro e amigo", diz Glenavam Lima, de 16 anos.

Pelo caminho, o bombeiro Marcos dá assistência àqueles que caem da bicicleta. Nunca houve um ferimento que não tivesse sido solucionado na hora. "A responsabilidade com os meninos é grande. Mas sempre ensino que cada um deve se responsabilizar por si mesmo e pelo colega. Somos uma equipe", afirma Marcos. O companheirismo prevalece nas aventuras. Ninguém é deixado para trás. "Rezamos sempre antes de sair, para pedir proteção", diz. O único que não recebe assistência é o guia da turma. "Nas minhas quedas ninguém ajuda, mas todos riem bastante", brinca.

Os passeios são ensinamentos e diversão a parte para o grupo jovem do Gama. As responsabilidades não podem ser deixadas de lado para que, da próxima vez, o grupo se reúna. "Tenho que voltar mais cedo para ir à igreja, senão estou enrolado com minha mãe", diz Esaú Chaves Teixeira, de 17 anos, que faz as trilhas de bicicleta há três anos e meio.

O olhar de Marcos é atento para cada um que segue na trilha com as bicicletas. Sábados pela manhã e domingos à tarde, o encontro com o bombeiro é certo, exceto quando está de plantão no serviço. As atividades se prolongam nas férias. É só marcar, que Marcos está pronto para levar os "Descendentes do Cerrado" para girar as rodas nas trilhas dos montes. No final do passeio, um banho nas cachoeiras para revitalizar o corpo e subir a ladeira de volta ao lar.

* Matéria escrita em 29 de abril de 2008

Nenhum comentário: