
Apesar do desânimo do público os artistas circenses continuam de pé para o espetáculo continuar
por Joyce Gomes *
Fotos: Joyce Gomes
O Grande Circo Popular do Brasil não pára. Com as arquibancadas lotadas, ou com apenas 10% do público esperado, o espetáculo do circo do ator Marcos Frota esteve sete meses no Distrito Federal e passou por cidades como Ceilândia, Gama e Sobradinho. A população do Paranoá foi contemplada com a última temporada do circo, sendo que, no último domingo, foram apresentadas quatro sessões. A diferença no número de pessoas que assistiram ao espetáculo foi grande ao comparar a primeira e a última sessão. Mas os artistas circenses fazem de tudo para manter o astral nas apresentações. Para eles, o público é quem dita o ritmo do show.

O público que ocupou as arquibancadas com capacidade para 1.500 pessoas não chegava a 50, pela manhã. A energia do palhaço ao entrar no palco do circo e a magia dos efeitos de luz e som pareciam desaparecer com o desânimo de quem assistia à apresentação. "É complicado apresentar quando tem poucas pessoas. A gente trabalha com a animação do público. Ele é o grande responsável pela qualidade do espetáculo", afirma o palhaço Cléber Daroni, o Batata.
Muitas vezes os artistas têm de usar a criatividade para chamar a atenção do público. Na apresentação da manhã de domingo, o palhaço buscou a participação das pessoas que estavam assistindo ao show. "O palhaço trabalha com a reação do público. Se eles não acham graça, temos que inventar algo novo para entretê-los", explica Batata. Mas nem sempre é a quantidade de pessoas que faz do show um espetáculo único ou simplesmente um treino para aperfeiçoar os movimentos. "Muita
s vezes o circo está lotado, mas tem uma pessoa que não demonstra interesse por nosso trabalho e, por incrível que pareça, ela consegue tirar a nossa concentração", diz o acrobata Gilson Lima, de 22 anos. "Quando isso acontece, eu trabalho para esse maldito que não está se divertindo. Enquanto não rir, meu trabalho continua voltado para ele", brinca o palhaço Batata.Diferente do pequeno público da manhã, o espetáculo da noite de domingo teve um público estimado a 900 pessoas. Cada aplauso e expressão de admiração da platéia incentivava o artista a realizar o número com mais perfeição. O acrobata Gilson Lima empolgou com a participação e alegria do público da noite. Em vez de salto simples com perna-de-pau, resolveu inovar e dar um duplo mortal. Ovacionado, Gilson confessa que às vezes a animação do público os leva aos extremos para fazer a acrobacia e, muitas vezes, acabam se machucando.
A diferença entre as apresentações dos dois turnos não pára por aí. À noite, tudo parece transformar. A cena da contorcionista, rodeada por homens de tanga, é aprimorada com as tochas de fogo em volta da artista. O mágico não parece mais um amador de truques fazend
o a pomba aparecer, quase revelando o segredo. Ele transforma o fogo em flor de maneira ágil e intrigante. A mulher que faz acrobacias na corda pendurada no teto do circo tem apresentação inédita e provoca admiração do público. "Ave Maria! É doida!", "Como consegue fazer isso?", grita a platéia surpreendida ao observar a acrobata se contorcer no alto do circo. "Cada espetáculo é diferente. Não só pela animação do público, que conta muito, mas pela seleção dos números que vão ser apresentados", diz o artista Gilson Lima.Independente da quantidade de pessoas, do local ou do horário, os artistas garantem que começam o espetáculo com a mesma energia e vontade de animar o público. "Quando abre a cortina o que conta é colocar o ensaio que tivemos em prática para alegrar o pessoal. Olho para os lados para ver quem está debaixo da lona do circo e entro no palco. A partir daí, estamos lá para o que der e vier", diz o palhaço Batata. No final do expediente, uma criança se despede acenando e sorrindo para os artistas que estão na entrada do circo. "É para eles que fazemos o show. Por isso, todo o esforço é compensado", diz emocionado.
* Matéria escrita em abril de 2008

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