Jornalismo, ideal de justiça

por Joyce Gomes
Numa folha em branco, surgem os traços das primeiras palavras escritas por alguém que acredita no poder de transformar o mundo. Talvez as pessoas olhem as páginas e passem despercebidas pelo trabalho realizado.
Ou quem sabe, milhares delas mergulhem no texto, ansiosas para saber do que se trata. As reações ao se deparar com a notícia são das mais variadas. A atitude de quem a escreve, no entanto, tem de ser única, fundamentada na verdade, na apuração dos fatos.
Esses são os fundamentos de uma das mais belas profissões que busca inspiração nas atitudes da sociedade: o jornalismo.É preciso coragem, perseverança, vontade de consertar o que está errado e, sobretudo, deixar a preguiça de lado em busca da reportagem perfeita.
O jornalista trabalha dia e noite à procura de informações, pistas, frases, gestos, detalhes que sirvam como pilar para a notícia. Pequenos fatos cotidianos são transformados em grandes histórias de interesse público e fatos escabrosos viram manchetes sem sensacionalismo.
O jornalismo tem como objetivo informar o que a sociedade não enxerga ao seu redor. Nessa trajetória, deve-se tratar cordialmente a todos que cruzam o caminho, ouvindo-os, respeitando-os acima de qualquer coisa. Afinal, a matéria-prima do jornalista é o ser humano.
Além disso, ele está longe de ser o dono da verdade, mas se esforça para mostrar todas as versões das histórias para que o público reflita e se posicione em relação ao assunto. É como um pai que mostra os caminhos que a vida pode ter, para o filho escolher qual deve seguir.
A disposição para superar os próprios limites permite dizer que o jornalista, como o sertanejo de Euclides da Cunha em Os sertões, é sobretudo um forte. Forte por enfrentar barreiras para informar as pessoas, como o jornalista José Hamilton Ribeiro, que perdeu a perna na explosão de uma mina terrestre na cobertura da Guerra do Vietnã.
Forte por ficar cara a cara com a morte para denunciar algo errado, como Tim Lopes, assassinado por narcotraficantes em um morro do Rio de Janeiro. Forte por manter seu trabalho numa ditadura, como Vladimir Herzog, torturado até a morte no regime militar.
Mesmo com tantos exemplos de profissionais que dedicaram suas vidas à missão de informar, muitos desperdiçam esse poder. O culto ao furo jornalístico, atrelado à velocidade da notícia, leva à apuração rasa dos fatos. Uma vez que a matéria falsa é publicada, dificilmente a correção terá a mesma intensidade do furo.
No jornalismo não há meio termo. Ou se está certo da informação, ou não a tem. A responsabilidade perante a sociedade é forte demais para deixar a mesquinhez do furo jornalístico sobrepor o fato.
Ser jornalista, portanto, é muito mais do que ter uma mera profissão. É acreditar que a cada texto escrito seu ideal de justiça seja concretizado. Utopia? Não. O jornalista apenas tenta cumprir o seu papel de cidadão da humanidade.

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