sexta-feira, 19 de junho de 2009

Artigo publicado no Correio Braziliense no dia 21 de abril de 2007

Ainda no terceiro semestre do curso de jornalismo, em que tudo ainda parece sonho...


Jornalismo, ideal de justiça
por Joyce Gomes

Numa folha em branco, surgem os traços das primeiras palavras escritas por alguém que acredita no poder de transformar o mundo. Talvez as pessoas olhem as páginas e passem despercebidas pelo trabalho realizado.

Ou quem sabe, milhares delas mergulhem no texto, ansiosas para saber do que se trata. As reações ao se deparar com a notícia são das mais variadas. A atitude de quem a escreve, no entanto, tem de ser única, fundamentada na verdade, na apuração dos fatos.

Esses são os fundamentos de uma das mais belas profissões que busca inspiração nas atitudes da sociedade: o jornalismo.É preciso coragem, perseverança, vontade de consertar o que está errado e, sobretudo, deixar a preguiça de lado em busca da reportagem perfeita.

O jornalista trabalha dia e noite à procura de informações, pistas, frases, gestos, detalhes que sirvam como pilar para a notícia. Pequenos fatos cotidianos são transformados em grandes histórias de interesse público e fatos escabrosos viram manchetes sem sensacionalismo.

O jornalismo tem como objetivo informar o que a sociedade não enxerga ao seu redor. Nessa trajetória, deve-se tratar cordialmente a todos que cruzam o caminho, ouvindo-os, respeitando-os acima de qualquer coisa. Afinal, a matéria-prima do jornalista é o ser humano.

Além disso, ele está longe de ser o dono da verdade, mas se esforça para mostrar todas as versões das histórias para que o público reflita e se posicione em relação ao assunto. É como um pai que mostra os caminhos que a vida pode ter, para o filho escolher qual deve seguir.

A disposição para superar os próprios limites permite dizer que o jornalista, como o sertanejo de Euclides da Cunha em Os sertões, é sobretudo um forte. Forte por enfrentar barreiras para informar as pessoas, como o jornalista José Hamilton Ribeiro, que perdeu a perna na explosão de uma mina terrestre na cobertura da Guerra do Vietnã.

Forte por ficar cara a cara com a morte para denunciar algo errado, como Tim Lopes, assassinado por narcotraficantes em um morro do Rio de Janeiro. Forte por manter seu trabalho numa ditadura, como Vladimir Herzog, torturado até a morte no regime militar.

Mesmo com tantos exemplos de profissionais que dedicaram suas vidas à missão de informar, muitos desperdiçam esse poder. O culto ao furo jornalístico, atrelado à velocidade da notícia, leva à apuração rasa dos fatos. Uma vez que a matéria falsa é publicada, dificilmente a correção terá a mesma intensidade do furo.

No jornalismo não há meio termo. Ou se está certo da informação, ou não a tem. A responsabilidade perante a sociedade é forte demais para deixar a mesquinhez do furo jornalístico sobrepor o fato.

Ser jornalista, portanto, é muito mais do que ter uma mera profissão. É acreditar que a cada texto escrito seu ideal de justiça seja concretizado. Utopia? Não. O jornalista apenas tenta cumprir o seu papel de cidadão da humanidade.

Nenhum comentário: